sexta-feira, 21 de agosto de 2026

AMARRE O SEU BOI SELVAGEM EX.21.28,29

 Introdução: Êxodo 21 está inserido no conjunto de leis dadas por Deus a Israel depois da saída do Egito. O capítulo trata de diversas situações relacionadas à responsabilidade civil, danos, violência, propriedade e convivência social. O caso do boi é bastante interessante.

Na sociedade israelita, o boi era um animal extremamente útil. Era utilizado para:

  • arar a terra;
  • transportar cargas;
  • debulhar cereais;
  • auxiliar no trabalho agrícola.

Mas um animal forte também poderia representar perigo.

O problema não era simplesmente o boi ter chifres.

O problema era quando o proprietário sabia que o animal era perigoso e não tomava providências.

    I.        Versículo 28: o boi escorneou alguém, mas o proprietário não sabia que ele era perigoso.

  II.        Versículo 29: o proprietário sabia que o boi tinha o hábito de atacar, mas não o guardou.

Aqui está o princípio:  sobre responsabilidade, domínio próprio, vigilância e prevenção espiritual. O boi representa, no contexto original, um animal de força que precisava ser controlado; espiritualmente, podemos usar essa figura para falar daquilo que existe em nossa vida e que, se não for disciplinado, pode ferir outras pessoas.Parte superior do formulárioParte inferior do formulário

Deus não nos responsabiliza apenas pelo que fazemos, mas também pela negligência diante daquilo que sabemos que pode causar destruição. É daí que podemos tirar algumas lições espirituais: Existem coisas dentro de nós que precisam ser dominadas antes que machuquem alguém. “AMARRE O SEU BOI SELVAGEM!”

1. O BOI REPRESENTA AQUILO QUE TEM FORÇA, MAS PRECISA DE CONTROLE

O boi era forte. Sua força poderia ser utilizada para o bem, mas, se não fosse controlada, poderia produzir destruição. Isso nos ensina algo sobre a natureza humana.

Há coisas em nossa personalidade que podem ser boas quando estão sob controle, mas perigosas quando estão sem domínio.

Por exemplo:

a)   a força pode se transformar em agressividade;

b)  a autoridade pode se transformar em autoritarismo;

c)   a sinceridade pode se transformar em grosseria;

d)  a liderança pode se transformar em dominação;

e)   a indignação pode se transformar em ira;

f)    a confiança pode se transformar em arrogância;

g)   a liberdade pode se transformar em libertinagem.

Por isso Paulo escreveu:

“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.” 2 Tm.1.7

a)   A palavra moderação traz a ideia de domínio próprio, equilíbrio e autocontrole.

b)  Nem tudo aquilo que é forte dentro de nós deve ser eliminado.

c)   Algumas coisas precisam ser disciplinadas e colocadas sob o governo do Espírito Santo.

·       O problema não é ter força.

·       O problema é ter força sem freio.

2. O BOI SELVAGEM PRECISA SER AMARRADO ANTES QUE ATAQUE

O proprietário de Êxodo 21.29 já conhecia o comportamento do animal.

“se o boi dantes era acostumado a escornear...” Ou seja, não foi uma surpresa.

O dono sabia.

a)   Ele já tinha recebido sinais.

b)  Ele conhecia o comportamento.

c)   Mas não tomou providência.

Aqui está uma grande lição espiritual:

Não espere o desastre para começar a corrigir aquilo que você já sabe que está errado.

Existem comportamentos que começam pequenos.

·       Primeiro é uma irritação.

·       Depois uma explosão.

·       Primeiro é uma palavra áspera.

·       Depois uma discussão.

·       Primeiro é uma pequena concessão.

·       Depois um hábito.

·       Primeiro é uma mágoa.

·       Depois nasce a amargura. Hb.12.15 alerta: a amargura pode atingir a muitos. Por isso: Amarre antes que ataque.

3. O BOI SELVAGEM PODE FERIR QUEM ESTÁ PERTO

O texto não diz que o boi atacou um inimigo. Ele atacou “homem ou mulher”.

Isso nos lembra que aquilo que não controlamos em nossa vida pode atingir pessoas que estão próximas.

Às vezes, a pessoa mais prejudicada pela nossa falta de domínio próprio é justamente quem mais amamos.

Pode acontecer dentro:

·       da família; um homem pode ser excelente pregador, mas ter um “boi selvagem” dentro de casa.

·       do casamento; uma mulher pode ser excelente serva na igreja, mas carregar uma área sem domínio.

·       da igreja; um líder pode ter autoridade espiritual, mas não controlar a língua.

  • do ministério; um cristão pode conhecer a Bíblia e ainda não controlar a ira. Tg.3.2

4. O PROBLEMA DO DONO FOI SABER E NÃO AGIR

    Esta talvez seja a parte mais séria do texto.

a)   O proprietário sabia. Êx.21.29 diz: “e o seu dono foi conhecedor disso, e não o guardou...”

b)  Não foi simplesmente falta de conhecimento.

c)   Foi negligência. O dono conhecia o perigo e não tomou providência. Isso nos ensina sobre responsabilidade. Conhecimento produz responsabilidade.

Jesus ensinou: “Aquele servo, porém, que conheceu a vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites.” Lc.12.47

Quanto mais conhecimento recebemos, maior é nossa responsabilidade diante de Deus.

Por isso não precisamos apenas de conhecimento bíblico.

Precisamos de: conhecimento, obediência e prática. Tg1.22: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes.”

7. QUAIS SÃO OS “BOIS SELVAGENS” QUE PRECISAMOS AMARRAR?

6.1. A IRA Ef. 4.26: “Irai-vos, e não pequeis.”

A Bíblia não ignora a existência da ira, mas ensina a não permitir que ela governe nossa vida. Pv. 14.29: Minha ira está debaixo do governo do Espírito Santo?

6.2. A LÍNGUA Pv.18.21: “A morte e a vida estão no poder da língua.”

       Tiago dedica grande parte do capítulo 3 para falar da língua.

a)   Há pessoas que carregam feridas causadas por palavras ditas há muitos anos.

b)  Uma palavra pode destruir uma autoestima.

c)   Uma palavra pode destruir um relacionamento.

d)  Uma palavra pode dividir uma igreja.

e)   Uma palavra pode levantar alguém.

f)    Portanto: Amarre sua língua antes que ela escorneie alguém.

g)   Ele compara a língua ao freio colocado na boca do cavalo: Tg3.3

h)  O princípio é extraordinário:

i)    Uma coisa pequena pode controlar algo muito grande.

j)    O freio controla o cavalo.

k)  leme controla o navio.

l)    E o domínio próprio controla nossas reações. Pv.15.1: “A resposta branda desvia o furor.”

m) Pv.16.32: “Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso.”

n)  Precisamos perguntar: Como está o meu boi?

o)   Minha língua está amarrada?

p)  Minha ira está amarrada?

q)   Meu temperamento está amarrado?

r)    Minha impulsividade está amarrada?

s)   Minha necessidade de responder tudo está amarrada?

t)    Minha vontade de ferir com palavras está amarrada?

6.3. O ORGULHO Pv16.18: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.”

a)   O orgulho é perigoso porque frequentemente não reconhece que é orgulho. A pessoa pensa:

b)  “Eu sou assim mesmo.” “Eu falo na cara.” “Eu não levo desaforo.” “Quem quiser que me aceite.”

c)   Mas o Evangelho nos chama para transformação. Rm12.2:

 6.4. A MÁGOA Ef.4.31-32: “Toda amargura, e ira, e cólera... sejam tiradas de entre vós...”

a)   A mágoa guardada pode se transformar em amargura.

b)  E a amargura pode atingir pessoas que nem participaram do problema original. Hb.12.15

c)   Há pessoas que precisam parar de alimentar o boi da mágoa.

d)  Perdoar não significa dizer que o que aconteceu foi correto.

e)   Perdoar significa entregar a Deus o direito de fazer justiça.

f)    Rm.12.19: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira.” Deixe Deus ser o juiz, Dt.32.35

7. COMO AMARRAR O BOI?  Aqui está a aplicação prática.

    7.1. RECONHEÇA O SEU BOI Não adianta fingir que não existe. Davi orou: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração.” Sl.139.23

Precisamos pedir: “Senhor, mostra-me aquilo que eu não estou conseguindo enxergar em mim.”

 7.2. NÃO JUSTIFIQUE O QUE DEUS ESTÁ MANDANDO CORRIGIR

 Não diga: “Eu sou assim.” Diga: “Deus pode me transformar.”

a)   Pedro era impulsivo.

b)  Moisés teve problemas relacionados à ira.

c)   Elias enfrentou momentos de profunda fragilidade.

d)  Mas Deus trabalhou na vida deles. Fp.1.6 “Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará.”

   7.3. COLOQUE LIMITES

a)   O dono do boi precisava tomar uma atitude concreta.

b)  Da mesma maneira, algumas mudanças espirituais exigem atitudes práticas.

c)   Se determinada situação sempre leva você à queda, estabeleça limites.

d)  Se determinada conversa sempre produz conflitos, saiba a hora de parar.

e)   Se determinada companhia enfraquece sua fé, reavalie sua proximidade.

f)    Se determinada atitude desperta sua ira, não alimente a situação.

g)   Pv. 4.23: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração.”

8.O ESPÍRITO SANTO PRODUZ DOMÍNIO PRÓPRIO

·       Não estamos falando simplesmente de força de vontade.

·       “Permita que o Espírito Santo governe você.” Gl.5.22-23 apresenta o fruto do Espírito:

·       A temperança é domínio próprio. É aprender a colocar nossa vontade debaixo da vontade de Deus.

·       Paulo diz em Gl.5.24: “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.” O Espírito Santo não quer apenas morar em nós. Ele quer governar nossa vida.

9. JESUS É O MAIOR EXEMPLO DE DOMÍNIO PRÓPRIO

·       Jesus tinha poder. Mas nunca utilizou seu poder de maneira descontrolada.

·       Quando foi insultado, não revidou.

·       Quando foi acusado injustamente, não perdeu o controle.

·       Quando foi preso, poderia ter convocado legiões de anjos. Mt26.53

·       Jesus tinha poder para reagir. Mas escolheu obedecer ao Pai.

·       Isso é domínio próprio.

·       Domínio próprio não é ausência de força. É força colocada sob controle.

10. APLICAÇÃO PARA A IGREJA

a)   A igreja precisa aprender a “amarrar seus bois”.

b)  Não podemos pedir avivamento e continuar alimentando a ira.

c)   Não podemos pedir unidade e continuar espalhando fofoca.

d)  Não podemos pedir crescimento espiritual e continuar alimentando orgulho.

e)   Não podemos falar de amor enquanto guardamos ressentimentos.

f)    Não podemos cantar: “Eu quero ser como Cristo” e continuar permitindo que o velho homem governe nossas atitudes.

g)   Cl.3.8 “Mas agora despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.”

 Algumas perguntas para a igreja

1. Qual é o meu boi selvagem? Qual área da minha vida está fora de controle?

2. Eu já percebi que ele é perigoso? Ou estou fingindo que não existe?

3. Quem pode ser ferido se eu não mudar? Minha família? Meu cônjuge? Meus filhos? Meus irmãos? Meu ministério?

4. Estou esperando o acidente para tomar providência? Ou estou agindo antes que o problema cresça?

5. Estou permitindo que o Espírito Santo governe minhas reações?

Conclusão: Êxodo 21.29 apresenta uma verdade muito séria:

O dono sabia que o boi era perigoso, mas não o guardou.

O problema não foi apenas o boi.

O problema também foi a negligência do dono.

Há coisas em nossa vida que Deus já nos mostrou.

Há atitudes que precisamos abandonar.

Há palavras que precisamos controlar.

Há relacionamentos que precisam ser tratados.

Há feridas que precisam ser curadas.

Há temperamentos que precisam ser submetidos ao Espírito Santo.

Há hábitos que precisam ser colocados debaixo da autoridade de Cristo.

Não espere o boi atacar alguém. Amarre-o antes.

Não espere perder a família para controlar a ira.

Não espere perder amizades para controlar a língua.

Não espere destruir seu ministério para tratar seu caráter.

Não espere ferir alguém para perceber que precisava de domínio próprio.

AMARRE O SEU BOI SELVAGEM!

E quando você não conseguir sozinho, lembre-se:

“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” Fp.2.13

A mensagem não é apenas: “Controle-se.” É: “Entregue o controle da sua vida ao Espírito Santo.”

“Não espere o seu boi ferir alguém para descobrir que ele precisava ser amarrado. Aquilo que Deus já mostrou que precisa ser controlado, coloque hoje debaixo do governo de Cristo.”

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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

SEM VONTADE DE SERVIR MT.21.28-32 (estutdo para obreiro)

Introdução: Há uma diferença entre dizer que serve e realmente servir.

Jesus conta uma parábola simples, mas profundamente confrontadora.

Um pai tinha dois filhos e deu a ambos a mesma ordem:

“Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha.”

O primeiro respondeu: “Não quero.” Mas, depois, arrependeu-se e foi. Representa os pecadores arrependidos que agora servem ao pai.

O segundo respondeu: “Eu vou, senhor.” Mas não foi. Representa os líderes que honram a Deus com os lábios, mas o coração está longe Is.29.13 Deus deseja expressões de devoção que saiam do e odeia rituais vazios.

Jesus então pergunta:

“Qual dos dois fez a vontade do pai?” Mt 21.31- As ações de uma pessoa, provam se ela é ou não obediente a Deus.

A resposta era evidente: o primeiro.

A grande questão da parábola não é simplesmente sobre quem falou melhor, mas sobre quem obedeceu.

Há uma diferença entre: falar sobre serviço e servir;
ter posição e ter disposição; dizer “sim” com os lábios e dizer “sim” com a vida.

Os dois filhos representam duas classes:

1.  O primeiro filho representava os pecadores publicanos e prostitutas, que ao ouvirem a palavra se arrependeram;

2.  O segundo filho os líderes religiosos e fariseus, os principais líderes religiosos, líderes que tinham discursos, mas nunca se arrependeram.

Uma pergunta para começarmos:

Se Deus olhar hoje para a nossa vida, encontrará apenas disposição verbal ou encontrará disposição prática para servi-lo?

Jesus estava ensinando no templo, confrontando principalmente os líderes religiosos de Israel.

Nos versículos anteriores, os principais sacerdotes e anciãos haviam questionado a autoridade de Jesus (Mt 21.23-27).

Depois disso, Jesus apresenta essa parábola.

A imagem da vinha era muito conhecida pelos judeus.

No Antigo Testamento, Israel é frequentemente representado como uma vinha: Is.5.7 “Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel.”
(Is 5.7) Também encontramos essa imagem em:

  • Salmo 80.8-9 – Vinha plantada por Deus
  • Isaías 5.1-7 – A casa de Israel, a vinha do Senhor
  • Jeremias 2.21 – Vinha plantada pelo Senhor, mas que se degenerou

Portanto, quando Jesus fala da vinha, seus ouvintes entendiam que havia uma referência ao povo de Deus e à responsabilidade de trabalhar naquilo que pertence ao Senhor.

O pai representa a autoridade de Deus.

A vinha representa o campo de trabalho e os propósitos de Deus.

Os filhos representam aqueles que são chamados para fazer a vontade do Pai.

1. O PRIMEIRO FILHO: “NÃO QUERO” (Mt 21.29a)

Aqui encontramos algo surpreendente.

O filho foi chamado para trabalhar, mas respondeu:

“Não quero.”

Ele não demonstrou inicialmente disposição.

Não foi uma resposta bonita.

Não foi uma resposta religiosa.

Não foi uma resposta politicamente correta.

Foi uma resposta sincera.

Existe gente dentro da igreja que está assim espiritualmente:

“Eu sei que deveria servir, mas não quero.”

“Eu sei que deveria participar, mas não quero.”

“Eu sei que deveria evangelizar, mas não quero.”

“Eu sei que deveria ajudar, mas não quero.”

“Eu sei que deveria me envolver, mas não quero.”

E precisamos compreender uma coisa:

A falta de vontade pode aparecer até na vida de quem conhece a Deus.

Servir nem sempre começa com vontade.

Às vezes começa com obediência.

O sentimento pode vir depois.

2. “MAS, DEPOIS, ARREPENDEU-SE” (MT.21.29b)

Essa é uma das partes mais importantes da parábola.

O filho começou errado, mas terminou certo.

Ele disse “não”, porém mudou de atitude.

Isso nos ensina uma verdade poderosa:

Deus não está procurando pessoas que nunca falharam; Ele procura pessoas dispostas a mudar.

O arrependimento transformou sua resposta em atitude.

Ele não ficou preso ao: “Eu não quero.” Ele percebeu: “Meu pai está me chamando. Preciso obedecer.” Isso é arrependimento verdadeiro.

Arrependimento não é apenas sentir tristeza.

É mudança de direção.

João Batista pregava: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento.” (Mt 3.8)

Paulo também ensinou que o arrependimento produz obras: (At 26.20)

3. O SEGUNDO FILHO: “EU VOU, SENHOR”

Agora aparece o segundo filho.

“E, respondendo ele, disse: Eu, senhor; e não foi.”
(Mt 21.30)

Ele tinha uma resposta perfeita. Ele disse: “Eu, senhor.” Observe a linguagem respeitosa. Ele reconheceu a autoridade do pai.

Mas havia um problema: Suas palavras não foram acompanhadas de suas ações.

Ele disse “sim”, mas viveu “não”. Isso é extremamente sério no Reino de Deus. Jesus disse:

“E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?”
(Lc 6.46)

A verdadeira espiritualidade não é medida apenas pelo que falamos.

É demonstrada pelo que fazemos. Tiago escreveu:

“E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes.”
(Tg 1.22)

4. SERVIR A DEUS EXIGE MAIS DO QUE BOA INTENÇÃO

O segundo filho tinha uma boa declaração: “Eu vou.”

Mas não foi. Isso nos leva a uma pergunta importante:

Quantas coisas já dissemos que faríamos para Deus, mas nunca fizemos?

“Vou evangelizar.” “Vou visitar.” “Vou ajudar.” “Vou participar.” “Vou ensinar.” “Vou contribuir.” “Vou me envolver.”

“Vou trabalhar na obra.”

Mas os meses passam, os anos passam, e a pessoa continua apenas dizendo: “Eu vou.”

No Reino de Deus, intenção sem ação não produz fruto. Jesus disse:

“Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.” (Jo 15.8)

5. PRIMEIRA GRANDE PERGUNTA: POR QUE ÀS VEZES PERDEMOS A VONTADE DE SERVIR?

Essa pergunta precisa ser feita dentro da igreja.

5.1. Porque podemos estar cansados

O cansaço é real.

Até Jesus, durante seu ministério terreno, experimentou momentos de desgaste físico.

Marcos 6.31 registra Jesus dizendo:

“Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco.”

Portanto, precisamos distinguir: cansaço de desinteresse.

Às vezes a pessoa não precisa de cobrança; precisa de descanso, cuidado e renovação.

5.2. Porque podemos estar decepcionados

Algumas pessoas deixam de servir porque foram feridas.

Serviram e não foram reconhecidas.

Ajudaram e foram criticadas.

Trabalharam e receberam ingratidão.

Foram fiéis e alguém não valorizou.

Mas precisamos lembrar:

Nosso serviço não é primeiramente para homens; é para Deus.

Paulo escreveu:

“E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens.”(Cl 3.23)

Se servimos apenas quando somos reconhecidos, nossa motivação está errada.

5.3. Porque podemos ter perdido a visão do Reino

Quando olhamos somente para problemas, pessoas e dificuldades, perdemos de vista aquele para quem estamos trabalhando.

Paulo disse:

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor.” (1Co 15.58) Por quê?

Porque: “...o vosso trabalho não é vão no Senhor.”

6. SEGUNDA GRANDE PERGUNTA: O QUE SIGNIFICA SERVIR NO REINO?

Servir não significa necessariamente ocupar um cargo.

Serviço cristão é muito maior que uma função eclesiástica.

Servir é colocar aquilo que Deus nos deu à disposição dos propósitos dele.

Pedro ensinou: “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu.” (1Pe 4.10)

Deus distribuiu dons diferentes. Alguns ensinam. Alguns pregam. Alguns evangelizam. Alguns lideram. Alguns cantam. Alguns cuidam. Alguns visitam. Alguns contribuem. Alguns trabalham silenciosamente.

Mas todos podem servir. Rm.12.4-8 mostra essa diversidade de dons.

Não precisamos fazer tudo.

Mas precisamos perguntar:

“Senhor, o que o Senhor quer que eu faça?”

7. TERCEIRA PERGUNTA: ESTOU SERVINDO OU APENAS ASSISTINDO?

Essa é uma pergunta importante para a igreja contemporânea.

Existe uma cultura de consumo também dentro da religião.

Algumas pessoas chegam ao culto perguntando: “O que a igreja tem para mim?”

Mas o discípulo pergunta: “O que posso fazer pelo Reino de Deus?”

A igreja não é um teatro onde alguns trabalham e outros simplesmente assistem. A igreja é o corpo de Cristo.

Paulo afirma: “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.” (1Co 12.27)

Cada membro possui uma função.

8. A FALTA DE VONTADE NÃO PODE GOVERNAR A OBEDIÊNCIA

Precisamos aprender algo:

Nem tudo que Deus nos manda fazer será acompanhado inicialmente por vontade.

Jesus, no Getsêmani, disse: “Não seja, porém, como eu quero, mas como tu queres.” (Mt 26.39)

Aqui encontramos uma das maiores lições sobre submissão.

Jesus não colocou sua vontade acima da vontade do Pai.

Servir também significa submeter nossa vontade à vontade de Deus.

Às vezes diremos:

“Eu não quero.”

Mas, pela graça de Deus, podemos chegar a:

“Senhor, eu não quero servir, mas quero fazer a tua vontade.”

Esse é o amadurecimento espiritual.

9. SERVIR É UMA EXPRESSÃO DA NOSSA GRATIDÃO

Nós não servimos para comprar a salvação.

A salvação é pela graça: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé...” (Ef 2.8), (Ef 2.10)

Não fazemos boas obras para sermos salvos.

Fazemos boas obras porque fomos salvos.

O serviço cristão é resposta à graça recebida.

Paulo podia dizer: “O amor de Cristo nos constrange.” (2Co 5.14)

Quem compreende o que Cristo fez por nós começa a perguntar:

“Como posso servir ao meu Senhor?”

10. A VINHA AINDA PRECISA DE TRABALHADOR (MT.9.37)

Existe uma grande necessidade espiritual.

Há pessoas precisando ouvir o Evangelho.

Há famílias precisando de oração.

Há enfermos precisando de uma visita.

Há crianças precisando de ensino bíblico.

Há jovens precisando de discipulado.

Há novos convertidos precisando de acompanhamento.

Há pessoas necessitando de uma palavra de esperança.

A vinha ainda está diante de nós.

A pergunta é: Onde estamos? Trabalhando? Observando? Reclamando? Esperando alguém fazer?

11. ALGUMAS PERGUNTAS PARA A IGREJA

1. Por que Deus me chamou? Jo.15.16

2. O que estou fazendo com os dons que Deus me deu (1Pe 4.10)

3. Estou servindo por amor ou por reconhecimento? (Cl 3.23)

4. O que tem roubado minha vontade de servir? Cansaço? Decepção? Feridas? Comparação? Falta de reconhecimento? Desânimo?

5. Minha vida confirma aquilo que meus lábios dizem?  (Mt 7.21)

6. Se todos servissem como eu sirvo, como estaria minha igreja?

Essa pergunta pode produzir uma profunda reflexão.

12. A GRANDE LIÇÃO: DEUS OLHA PARA A OBEDIÊNCIA

Jesus não perguntou: “Qual filho falou mais bonito?”

Ele perguntou: “Qual dos dois fez a vontade do pai?”

Isso nos ensina que Deus valoriza a obediência.

Samuel disse a Saul: “Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar.”
(1Sm 15.22) Não adianta oferecer muito a Deus enquanto recusamos obedecer àquilo que Ele nos ordena. Deus não procura apenas discursos. Procura vidas obedientes.

13. UMA APLICAÇÃO TEOLÓGICA: A GRAÇA TRANSFORMA A VONTADE

O Evangelho não apenas perdoa nossos pecados. Ele também transforma nossa vida.

Paulo escreveu: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13)

Deus opera o querer. Isso é maravilhoso!

Talvez alguém esteja dizendo: “Eu perdi a vontade de servir.”

A mensagem do Evangelho é: Deus pode renovar sua vontade.

Davi orou e pediu renovo (Sl 51.12) Um espírito voluntário pode ser restaurado.

13. NÃO CONFUNDA FALTA DE VONTADE COM FIM DO CHAMADO

Talvez alguém esteja cansado.

Talvez alguém esteja decepcionado.

Talvez alguém esteja pensando: “Não quero mais servir.”

Mas Deus pode estar dizendo: “Levante-se. A vinha ainda está diante de você.”

Elias também chegou a um momento de profunda exaustão.

Em 1 Reis 19, ele desejou morrer. Mas Deus não terminou a história de Elias naquele momento “Vai, volta pelo teu caminho...”
(1Rs 19.15) Há momentos em que precisamos parar para descansar, mas não precisamos abandonar o chamado.

CONCLUSÃO: AINDA HÁ LUGAR PARA VOCÊ NA VINHA

A parábola termina com uma mensagem séria.

Mas hoje podemos terminar com uma palavra de ânimo.

Talvez você tenha sido como o primeiro filho.

Talvez já tenha dito: “Não quero.”

Talvez tenha se afastado.

Talvez tenha perdido a vontade de servir.

Talvez tenha sido ferido.

Talvez esteja cansado.

Mas a história não precisa terminar no seu “não”.

Você ainda pode dizer “sim”.

O primeiro filho começou dizendo:

“Não quero.” Mas depois: “Arrependeu-se e foi.”

Isso significa que a última palavra não precisa ser a nossa primeira resposta.

Deus ainda pode renovar nossa disposição.

Deus ainda pode restaurar nossa alegria.

Deus ainda pode usar nossa vida.

Deus ainda pode nos colocar novamente em sua vinha.

Paulo declarou: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor.” (1Co 15.58)

E Jesus disse: “Se alguém me serve, siga-me; e, onde eu estiver, ali estará também o meu servo.” (Jo 12.26)

Talvez hoje Deus esteja perguntando: “Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha?”

Não responda apenas com os lábios.

Não diga apenas: “Eu vou.”

Diga com a vida. Talvez você tenha perdido a vontade.

Então ore: “Senhor, restaura em mim um espírito voluntário.”

Talvez você tenha sido ferido.

Diga: “Senhor, cura meu coração e me ajuda a continuar.”

Talvez você esteja cansado. “Senhor, renova minhas forças.”

Talvez você tenha se afastado. “Senhor, estou voltando para a tua vontade.”

Porque a vinha ainda está diante de nós.

Ainda há trabalho.

Ainda há almas para alcançar.

Ainda há vidas para cuidar.

Ainda há dons para usar.

Ainda há frutos para produzir.

E acima de tudo, você precisa ser firme (1Co 15.58)

“Não importa apenas como começamos; pela graça de Deus, podemos mudar nossa resposta, obedecer ao Pai e terminar fazendo à vontade dele.”

A vinha continua esperando trabalhadores. E, pela graça de Deus, ainda há lugar para você servir.

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