Introdução: Há uma diferença entre dizer que serve e realmente servir.
Jesus
conta uma parábola simples, mas profundamente confrontadora.
Um
pai tinha dois filhos e deu a ambos a mesma ordem:
“Filho,
vai trabalhar hoje na minha vinha.”
O
primeiro respondeu: “Não quero.” Mas, depois,
arrependeu-se e foi. Representa os pecadores arrependidos que agora servem ao
pai.
O
segundo respondeu: “Eu vou, senhor.” Mas não foi.
Representa os líderes que honram a Deus com os lábios, mas o coração está longe
Is.29.13 Deus deseja expressões de devoção que saiam do e odeia rituais vazios.
Jesus
então pergunta:
“Qual
dos dois fez a vontade do pai?” Mt 21.31- As ações de uma pessoa, provam se ela
é ou não obediente a Deus.
A
resposta era evidente: o primeiro.
A
grande questão da parábola não é simplesmente sobre quem falou melhor, mas
sobre quem obedeceu.
Há
uma diferença entre: falar sobre serviço e servir;
ter posição e ter disposição; dizer “sim” com os lábios e dizer “sim” com a
vida.
Os
dois filhos representam duas classes:
1. O
primeiro filho representava os pecadores publicanos e prostitutas, que ao
ouvirem a palavra se arrependeram;
2. O
segundo filho os líderes religiosos e fariseus, os principais líderes
religiosos, líderes que tinham discursos, mas nunca se arrependeram.
Uma
pergunta para começarmos:
Se
Deus olhar hoje para a nossa vida, encontrará apenas disposição verbal ou
encontrará disposição prática para servi-lo?
Jesus
estava ensinando no templo, confrontando principalmente os líderes religiosos
de Israel.
Nos
versículos anteriores, os principais sacerdotes e anciãos haviam questionado a
autoridade de Jesus (Mt 21.23-27).
Depois
disso, Jesus apresenta essa parábola.
A
imagem da vinha era muito conhecida pelos judeus.
No
Antigo Testamento, Israel é frequentemente representado como uma vinha: Is.5.7 “Porque
a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel.”
(Is 5.7) Também encontramos essa imagem em:
- Salmo 80.8-9 – Vinha plantada por
Deus
- Isaías 5.1-7 – A casa de Israel, a
vinha do Senhor
- Jeremias 2.21 – Vinha plantada pelo
Senhor, mas que se degenerou
Portanto,
quando Jesus fala da vinha, seus ouvintes entendiam que havia uma referência ao
povo de Deus e à responsabilidade de trabalhar naquilo que pertence ao Senhor.
O
pai representa a autoridade de Deus.
A
vinha representa o campo de trabalho e os propósitos de Deus.
Os
filhos representam aqueles que são chamados para fazer a vontade do Pai.
1.
O PRIMEIRO FILHO: “NÃO QUERO” (Mt 21.29a)
Aqui
encontramos algo surpreendente.
O
filho foi chamado para trabalhar, mas respondeu:
“Não
quero.”
Ele
não demonstrou inicialmente disposição.
Não
foi uma resposta bonita.
Não
foi uma resposta religiosa.
Não
foi uma resposta politicamente correta.
Foi
uma resposta sincera.
Existe
gente dentro da igreja que está assim espiritualmente:
“Eu
sei que deveria servir, mas não quero.”
“Eu
sei que deveria participar, mas não quero.”
“Eu
sei que deveria evangelizar, mas não quero.”
“Eu
sei que deveria ajudar, mas não quero.”
“Eu
sei que deveria me envolver, mas não quero.”
E
precisamos compreender uma coisa:
A
falta de vontade pode aparecer até na vida de quem conhece a Deus.
Servir
nem sempre começa com vontade.
Às
vezes começa com obediência.
O
sentimento pode vir depois.
2.
“MAS, DEPOIS, ARREPENDEU-SE” (MT.21.29b)
Essa
é uma das partes mais importantes da parábola.
O
filho começou errado, mas terminou certo.
Ele
disse “não”, porém mudou de atitude.
Isso
nos ensina uma verdade poderosa:
Deus
não está procurando pessoas que nunca falharam; Ele procura pessoas dispostas a
mudar.
O
arrependimento transformou sua resposta em atitude.
Ele
não ficou preso ao: “Eu não quero.” Ele percebeu: “Meu pai está me chamando.
Preciso obedecer.” Isso é arrependimento verdadeiro.
Arrependimento
não é apenas sentir tristeza.
É
mudança de direção.
João
Batista pregava: “Produzi, pois, frutos dignos de
arrependimento.” (Mt 3.8)
Paulo
também ensinou que o arrependimento produz obras: (At 26.20)
3.
O SEGUNDO FILHO: “EU VOU, SENHOR”
Agora
aparece o segundo filho.
“E,
respondendo ele, disse: Eu, senhor; e não foi.”
(Mt 21.30)
Ele
tinha uma resposta perfeita. Ele disse: “Eu, senhor.” Observe a linguagem
respeitosa. Ele reconheceu a autoridade do pai.
Mas
havia um problema: Suas palavras não foram acompanhadas de suas ações.
Ele
disse “sim”, mas viveu “não”. Isso é extremamente sério no Reino de Deus. Jesus
disse:
“E
por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?”
(Lc 6.46)
A
verdadeira espiritualidade não é medida apenas pelo que falamos.
É
demonstrada pelo que fazemos. Tiago escreveu:
“E
sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes.”
(Tg 1.22)
4.
SERVIR A DEUS EXIGE MAIS DO QUE BOA INTENÇÃO
O
segundo filho tinha uma boa declaração: “Eu vou.”
Mas
não foi. Isso nos leva a uma pergunta importante:
Quantas
coisas já dissemos que faríamos para Deus, mas nunca fizemos?
“Vou
evangelizar.” “Vou visitar.” “Vou ajudar.” “Vou participar.” “Vou ensinar.” “Vou
contribuir.” “Vou me envolver.”
“Vou
trabalhar na obra.”
Mas
os meses passam, os anos passam, e a pessoa continua apenas dizendo: “Eu vou.”
No
Reino de Deus, intenção sem ação não produz fruto. Jesus disse:
“Nisto
é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.” (Jo
15.8)
5.
PRIMEIRA GRANDE PERGUNTA: POR QUE ÀS VEZES PERDEMOS A VONTADE DE SERVIR?
Essa
pergunta precisa ser feita dentro da igreja.
5.1.
Porque podemos estar cansados
O
cansaço é real.
Até
Jesus, durante seu ministério terreno, experimentou momentos de desgaste
físico.
Marcos
6.31 registra Jesus dizendo:
“Vinde
vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco.”
Portanto,
precisamos distinguir: cansaço de desinteresse.
Às
vezes a pessoa não precisa de cobrança; precisa de descanso, cuidado e
renovação.
5.2.
Porque podemos estar decepcionados
Algumas
pessoas deixam de servir porque foram feridas.
Serviram
e não foram reconhecidas.
Ajudaram
e foram criticadas.
Trabalharam
e receberam ingratidão.
Foram
fiéis e alguém não valorizou.
Mas
precisamos lembrar:
Nosso
serviço não é primeiramente para homens; é para Deus.
Paulo
escreveu:
“E
tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos
homens.”(Cl 3.23)
Se
servimos apenas quando somos reconhecidos, nossa motivação está errada.
5.3.
Porque podemos ter perdido a visão do Reino
Quando
olhamos somente para problemas, pessoas e dificuldades, perdemos de vista
aquele para quem estamos trabalhando.
Paulo
disse:
“Portanto,
meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do
Senhor.” (1Co 15.58) Por quê?
Porque:
“...o vosso trabalho não é vão no Senhor.”
6.
SEGUNDA GRANDE PERGUNTA: O QUE SIGNIFICA SERVIR NO REINO?
Servir
não significa necessariamente ocupar um cargo.
Serviço
cristão é muito maior que uma função eclesiástica.
Servir
é colocar aquilo que Deus nos deu à disposição dos propósitos dele.
Pedro
ensinou: “Cada um administre aos outros o dom como o
recebeu.” (1Pe 4.10)
Deus
distribuiu dons diferentes. Alguns ensinam. Alguns pregam. Alguns evangelizam. Alguns
lideram. Alguns cantam. Alguns cuidam. Alguns visitam. Alguns contribuem. Alguns
trabalham silenciosamente.
Mas
todos podem servir. Rm.12.4-8 mostra essa diversidade de dons.
Não
precisamos fazer tudo.
Mas
precisamos perguntar:
“Senhor,
o que o Senhor quer que eu faça?”
7.
TERCEIRA PERGUNTA: ESTOU SERVINDO OU APENAS ASSISTINDO?
Essa
é uma pergunta importante para a igreja contemporânea.
Existe
uma cultura de consumo também dentro da religião.
Algumas
pessoas chegam ao culto perguntando: “O que a igreja tem
para mim?”
Mas
o discípulo pergunta: “O que posso fazer pelo Reino de
Deus?”
A
igreja não é um teatro onde alguns trabalham e outros simplesmente assistem. A
igreja é o corpo de Cristo.
Paulo
afirma: “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros
em particular.” (1Co 12.27)
Cada
membro possui uma função.
8.
A FALTA DE VONTADE NÃO PODE GOVERNAR A OBEDIÊNCIA
Precisamos
aprender algo:
Nem
tudo que Deus nos manda fazer será acompanhado inicialmente por vontade.
Jesus,
no Getsêmani, disse: “Não seja, porém, como eu quero, mas
como tu queres.” (Mt 26.39)
Aqui
encontramos uma das maiores lições sobre submissão.
Jesus
não colocou sua vontade acima da vontade do Pai.
Servir
também significa submeter nossa vontade à vontade de Deus.
Às
vezes diremos:
“Eu
não quero.”
Mas,
pela graça de Deus, podemos chegar a:
“Senhor,
eu não quero servir, mas quero fazer a tua vontade.”
Esse
é o amadurecimento espiritual.
9.
SERVIR É UMA EXPRESSÃO DA NOSSA GRATIDÃO
Nós
não servimos para comprar a salvação.
A
salvação é pela graça: “Porque pela graça sois salvos, por
meio da fé...” (Ef 2.8), (Ef 2.10)
Não
fazemos boas obras para sermos salvos.
Fazemos
boas obras porque fomos salvos.
O
serviço cristão é resposta à graça recebida.
Paulo
podia dizer: “O amor de Cristo nos constrange.” (2Co
5.14)
Quem
compreende o que Cristo fez por nós começa a perguntar:
“Como
posso servir ao meu Senhor?”
10.
A VINHA AINDA PRECISA DE TRABALHADOR (MT.9.37)
Existe
uma grande necessidade espiritual.
Há
pessoas precisando ouvir o Evangelho.
Há
famílias precisando de oração.
Há
enfermos precisando de uma visita.
Há
crianças precisando de ensino bíblico.
Há
jovens precisando de discipulado.
Há
novos convertidos precisando de acompanhamento.
Há
pessoas necessitando de uma palavra de esperança.
A
vinha ainda está diante de nós.
A
pergunta é: Onde estamos? Trabalhando? Observando? Reclamando?
Esperando alguém fazer?
11.
ALGUMAS PERGUNTAS PARA A IGREJA
1.
Por que Deus me chamou? Jo.15.16
2.
O que estou fazendo com os dons que Deus me deu (1Pe 4.10)
3.
Estou servindo por amor ou por reconhecimento? (Cl 3.23)
4.
O que tem roubado minha vontade de servir? Cansaço? Decepção? Feridas? Comparação?
Falta de reconhecimento? Desânimo?
5.
Minha vida confirma aquilo que meus lábios dizem? (Mt 7.21)
6.
Se todos servissem como eu sirvo, como estaria minha igreja?
Essa
pergunta pode produzir uma profunda reflexão.
12.
A GRANDE LIÇÃO: DEUS OLHA PARA A OBEDIÊNCIA
Jesus
não perguntou: “Qual filho falou mais bonito?”
Ele
perguntou: “Qual dos dois fez a vontade do pai?”
Isso
nos ensina que Deus valoriza a obediência.
Samuel
disse a Saul: “Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar.”
(1Sm 15.22) Não adianta oferecer muito a Deus enquanto recusamos obedecer
àquilo que Ele nos ordena. Deus não procura apenas discursos. Procura vidas
obedientes.
13.
UMA APLICAÇÃO TEOLÓGICA: A GRAÇA TRANSFORMA A VONTADE
O
Evangelho não apenas perdoa nossos pecados. Ele também transforma nossa vida.
Paulo
escreveu: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer
como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13)
Deus
opera o querer. Isso é maravilhoso!
Talvez
alguém esteja dizendo: “Eu perdi a vontade de servir.”
A
mensagem do Evangelho é: Deus pode renovar sua vontade.
Davi
orou e pediu renovo (Sl 51.12) Um espírito voluntário pode ser restaurado.
13.
NÃO CONFUNDA FALTA DE VONTADE COM FIM DO CHAMADO
Talvez
alguém esteja cansado.
Talvez
alguém esteja decepcionado.
Talvez
alguém esteja pensando: “Não quero mais servir.”
Mas
Deus pode estar dizendo: “Levante-se. A vinha ainda está diante de você.”
Elias
também chegou a um momento de profunda exaustão.
Em
1 Reis 19, ele desejou morrer. Mas Deus não terminou a história de Elias
naquele momento “Vai, volta pelo teu caminho...”
(1Rs 19.15) Há momentos em que precisamos parar para descansar, mas não
precisamos abandonar o chamado.
CONCLUSÃO:
AINDA HÁ LUGAR PARA VOCÊ NA VINHA
A
parábola termina com uma mensagem séria.
Mas
hoje podemos terminar com uma palavra de ânimo.
Talvez
você tenha sido como o primeiro filho.
Talvez
já tenha dito: “Não quero.”
Talvez
tenha se afastado.
Talvez
tenha perdido a vontade de servir.
Talvez
tenha sido ferido.
Talvez
esteja cansado.
Mas
a história não precisa terminar no seu “não”.
Você
ainda pode dizer “sim”.
O
primeiro filho começou dizendo:
“Não
quero.” Mas depois: “Arrependeu-se e foi.”
Isso
significa que a última palavra não precisa ser a nossa primeira resposta.
Deus
ainda pode renovar nossa disposição.
Deus
ainda pode restaurar nossa alegria.
Deus
ainda pode usar nossa vida.
Deus
ainda pode nos colocar novamente em sua vinha.
Paulo
declarou: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e
constantes, sempre abundantes na obra do Senhor.” (1Co 15.58)
E
Jesus disse: “Se alguém me serve, siga-me; e, onde
eu estiver, ali estará também o meu servo.” (Jo 12.26)
Talvez
hoje Deus esteja perguntando: “Filho, vai trabalhar
hoje na minha vinha?”
Não
responda apenas com os lábios.
Não
diga apenas: “Eu vou.”
Diga
com a vida. Talvez você tenha perdido a vontade.
Então
ore: “Senhor, restaura em mim um espírito voluntário.”
Talvez
você tenha sido ferido.
Diga:
“Senhor, cura meu coração e me ajuda a continuar.”
Talvez
você esteja cansado. “Senhor, renova minhas forças.”
Talvez
você tenha se afastado. “Senhor, estou voltando para a tua vontade.”
Porque
a vinha ainda está diante de nós.
Ainda
há trabalho.
Ainda
há almas para alcançar.
Ainda
há vidas para cuidar.
Ainda
há dons para usar.
Ainda
há frutos para produzir.
E
acima de tudo, você precisa ser firme (1Co 15.58)
“Não
importa apenas como começamos; pela graça de Deus, podemos mudar nossa
resposta, obedecer ao Pai e terminar fazendo à vontade dele.”
A
vinha continua esperando trabalhadores. E, pela graça de Deus, ainda há lugar
para você servir.