Na
sociedade israelita, o boi era um animal extremamente útil. Era utilizado para:
- arar a
terra;
- transportar
cargas;
- debulhar
cereais;
- auxiliar no
trabalho agrícola.
Mas
um animal forte também poderia representar perigo.
O
problema não era simplesmente o boi ter chifres.
O
problema era quando o proprietário sabia que o animal era perigoso e não tomava
providências.
I.
Versículo
28: o boi escorneou alguém, mas o proprietário não sabia que ele era perigoso.
II.
Versículo
29: o proprietário sabia que o boi tinha o hábito de atacar, mas não o guardou.
Aqui
está o princípio: sobre responsabilidade, domínio próprio,
vigilância e prevenção espiritual. O boi representa, no contexto original, um
animal de força que precisava ser controlado; espiritualmente, podemos usar
essa figura para falar daquilo que existe em nossa vida e que, se não for
disciplinado, pode ferir outras pessoas.
Deus
não nos responsabiliza apenas pelo que fazemos, mas também pela negligência
diante daquilo que sabemos que pode causar destruição. É daí que podemos tirar algumas
lições espirituais: Existem coisas dentro de nós que precisam ser dominadas
antes que machuquem alguém. “AMARRE O SEU BOI SELVAGEM!”
1. O BOI
REPRESENTA AQUILO QUE TEM FORÇA, MAS PRECISA DE CONTROLE
O
boi era forte. Sua força poderia ser utilizada para o bem, mas, se não fosse
controlada, poderia produzir destruição. Isso nos ensina algo sobre a natureza
humana.
Há
coisas em nossa personalidade que podem ser boas quando estão sob controle, mas
perigosas quando estão sem domínio.
Por
exemplo:
a)
a
força pode se transformar em agressividade;
b) a autoridade
pode se transformar em autoritarismo;
c)
a
sinceridade pode se transformar em grosseria;
d) a liderança pode
se transformar em dominação;
e)
a
indignação pode se transformar em ira;
f)
a
confiança pode se transformar em arrogância;
g)
a
liberdade pode se transformar em libertinagem.
Por
isso Paulo escreveu:
“Porque
Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de
moderação.” 2 Tm.1.7
a)
A
palavra moderação traz a ideia de domínio próprio, equilíbrio e autocontrole.
b) Nem tudo aquilo
que é forte dentro de nós deve ser eliminado.
c)
Algumas
coisas precisam ser disciplinadas e colocadas sob o governo do Espírito Santo.
· O problema não é
ter força.
· O problema é ter
força sem freio.
2. O BOI
SELVAGEM PRECISA SER AMARRADO ANTES QUE ATAQUE
O
proprietário de Êxodo 21.29 já conhecia o comportamento do animal.
“se
o boi dantes era acostumado a escornear...” Ou seja, não foi uma surpresa.
O
dono sabia.
a)
Ele
já tinha recebido sinais.
b) Ele conhecia o
comportamento.
c)
Mas
não tomou providência.
Aqui
está uma grande lição espiritual:
Não
espere o desastre para começar a corrigir aquilo que você já sabe que está
errado.
Existem
comportamentos que começam pequenos.
· Primeiro é uma
irritação.
· Depois uma
explosão.
· Primeiro é uma
palavra áspera.
· Depois uma
discussão.
· Primeiro é uma
pequena concessão.
· Depois um
hábito.
· Primeiro é uma
mágoa.
· Depois nasce a
amargura. Hb.12.15 alerta: a amargura pode atingir a muitos. Por isso: Amarre
antes que ataque.
3. O BOI
SELVAGEM PODE FERIR QUEM ESTÁ PERTO
O
texto não diz que o boi atacou um inimigo. Ele atacou “homem ou mulher”.
Isso
nos lembra que aquilo que não controlamos em nossa vida pode atingir pessoas
que estão próximas.
Às
vezes, a pessoa mais prejudicada pela nossa falta de domínio próprio é
justamente quem mais amamos.
Pode
acontecer dentro:
· da família; um
homem pode ser excelente pregador, mas ter um “boi selvagem” dentro de casa.
· do casamento; uma
mulher pode ser excelente serva na igreja, mas carregar uma área sem domínio.
· da igreja; um
líder pode ter autoridade espiritual, mas não controlar a língua.
- do
ministério; um cristão pode conhecer a Bíblia e ainda não controlar a ira.
Tg.3.2
4. O PROBLEMA
DO DONO FOI SABER E NÃO AGIR
Esta talvez seja a parte mais séria do
texto.
a)
O
proprietário sabia. Êx.21.29 diz: “e o seu dono foi conhecedor disso, e não o
guardou...”
b) Não foi
simplesmente falta de conhecimento.
c)
Foi
negligência. O dono conhecia o perigo e não tomou providência. Isso nos ensina
sobre responsabilidade. Conhecimento produz responsabilidade.
Jesus
ensinou:
“Aquele servo, porém, que conheceu a vontade do seu senhor e não se aprontou,
nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites.” Lc.12.47
Quanto
mais conhecimento recebemos, maior é nossa responsabilidade diante de Deus.
Por
isso não precisamos apenas de conhecimento bíblico.
Precisamos
de: conhecimento, obediência e prática. Tg1.22: “E sede cumpridores da palavra,
e não somente ouvintes.”
7. QUAIS SÃO
OS “BOIS SELVAGENS” QUE PRECISAMOS AMARRAR?
6.1.
A IRA Ef. 4.26:
“Irai-vos, e não pequeis.”
A
Bíblia não ignora a existência da ira, mas ensina a não permitir que ela
governe nossa vida. Pv. 14.29: Minha ira está debaixo do governo do Espírito
Santo?
6.2.
A LÍNGUA Pv.18.21:
“A morte e a vida estão no poder da língua.”
Tiago dedica grande parte do capítulo 3
para falar da língua.
a)
Há
pessoas que carregam feridas causadas por palavras ditas há muitos anos.
b) Uma palavra pode
destruir uma autoestima.
c)
Uma
palavra pode destruir um relacionamento.
d) Uma palavra pode
dividir uma igreja.
e)
Uma
palavra pode levantar alguém.
f)
Portanto:
Amarre sua língua antes que ela escorneie alguém.
g)
Ele
compara a língua ao freio colocado na boca do cavalo: Tg3.3
h) O princípio é
extraordinário:
i)
Uma
coisa pequena pode controlar algo muito grande.
j)
O
freio controla o cavalo.
k) leme controla o
navio.
l)
E
o domínio próprio controla nossas reações. Pv.15.1: “A resposta branda desvia o
furor.”
m) Pv.16.32:
“Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso.”
n) Precisamos
perguntar: Como está o meu boi?
o)
Minha
língua está amarrada?
p) Minha ira está
amarrada?
q)
Meu
temperamento está amarrado?
r)
Minha
impulsividade está amarrada?
s)
Minha
necessidade de responder tudo está amarrada?
t)
Minha
vontade de ferir com palavras está amarrada?
6.3.
O ORGULHO Pv16.18: “A
soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.”
a)
O
orgulho é perigoso porque frequentemente não reconhece que é orgulho. A pessoa
pensa:
b) “Eu sou assim
mesmo.” “Eu falo na cara.” “Eu não levo desaforo.” “Quem quiser que me aceite.”
c)
Mas
o Evangelho nos chama para transformação. Rm12.2:
6.4. A MÁGOA Ef.4.31-32: “Toda
amargura, e ira, e cólera... sejam tiradas de entre vós...”
a)
A
mágoa guardada pode se transformar em amargura.
b) E a amargura
pode atingir pessoas que nem participaram do problema original. Hb.12.15
c)
Há
pessoas que precisam parar de alimentar o boi da mágoa.
d) Perdoar não
significa dizer que o que aconteceu foi correto.
e)
Perdoar
significa entregar a Deus o direito de fazer justiça.
f)
Rm.12.19:
“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira.” Deixe Deus ser o
juiz, Dt.32.35
7. COMO
AMARRAR O BOI? Aqui está a aplicação
prática.
7.1. RECONHEÇA O SEU BOI Não adianta
fingir que não existe. Davi orou: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o
meu coração.” Sl.139.23
Precisamos
pedir: “Senhor, mostra-me aquilo que eu não estou conseguindo enxergar em mim.”
7.2. NÃO JUSTIFIQUE O QUE DEUS ESTÁ MANDANDO
CORRIGIR
Não diga: “Eu sou assim.” Diga: “Deus pode me
transformar.”
a)
Pedro
era impulsivo.
b) Moisés teve
problemas relacionados à ira.
c)
Elias
enfrentou momentos de profunda fragilidade.
d) Mas Deus
trabalhou na vida deles. Fp.1.6 “Aquele que em vós começou a boa obra a
aperfeiçoará.”
7.3. COLOQUE LIMITES
a)
O
dono do boi precisava tomar uma atitude concreta.
b) Da mesma
maneira, algumas mudanças espirituais exigem atitudes práticas.
c)
Se
determinada situação sempre leva você à queda, estabeleça limites.
d) Se determinada
conversa sempre produz conflitos, saiba a hora de parar.
e)
Se
determinada companhia enfraquece sua fé, reavalie sua proximidade.
f)
Se
determinada atitude desperta sua ira, não alimente a situação.
g)
Pv.
4.23: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração.”
8.O
ESPÍRITO SANTO PRODUZ DOMÍNIO PRÓPRIO
· Não estamos
falando simplesmente de força de vontade.
· “Permita que o
Espírito Santo governe você.” Gl.5.22-23 apresenta o fruto do Espírito:
· A temperança é
domínio próprio. É aprender a colocar nossa vontade debaixo da vontade de Deus.
· Paulo diz em Gl.5.24:
“E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e
concupiscências.” O Espírito Santo não quer apenas morar em nós. Ele quer
governar nossa vida.
9. JESUS É O
MAIOR EXEMPLO DE DOMÍNIO PRÓPRIO
· Jesus tinha
poder. Mas nunca utilizou seu poder de maneira descontrolada.
· Quando foi
insultado, não revidou.
· Quando foi
acusado injustamente, não perdeu o controle.
· Quando foi
preso, poderia ter convocado legiões de anjos. Mt26.53
· Jesus tinha
poder para reagir. Mas escolheu obedecer ao Pai.
· Isso é domínio
próprio.
· Domínio próprio
não é ausência de força. É força colocada sob controle.
10. APLICAÇÃO
PARA A IGREJA
a)
A
igreja precisa aprender a “amarrar seus bois”.
b) Não podemos
pedir avivamento e continuar alimentando a ira.
c)
Não
podemos pedir unidade e continuar espalhando fofoca.
d) Não podemos
pedir crescimento espiritual e continuar alimentando orgulho.
e)
Não
podemos falar de amor enquanto guardamos ressentimentos.
f)
Não
podemos cantar: “Eu quero ser como Cristo” e continuar permitindo que o velho
homem governe nossas atitudes.
g)
Cl.3.8
“Mas agora despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da
maledicência, das palavras torpes da vossa boca.”
Algumas perguntas para a igreja
1.
Qual é o meu boi selvagem? Qual área da minha vida está fora de controle?
2.
Eu já percebi que ele é perigoso? Ou estou fingindo que não existe?
3.
Quem pode ser ferido se eu não mudar? Minha família? Meu cônjuge? Meus filhos? Meus
irmãos? Meu ministério?
4.
Estou esperando o acidente para tomar providência? Ou estou agindo antes que o
problema cresça?
5.
Estou permitindo que o Espírito Santo governe minhas reações?
Conclusão:
Êxodo
21.29 apresenta uma verdade muito séria:
O
dono sabia que o boi era perigoso, mas não o guardou.
O
problema não foi apenas o boi.
O
problema também foi a negligência do dono.
Há
coisas em nossa vida que Deus já nos mostrou.
Há
atitudes que precisamos abandonar.
Há
palavras que precisamos controlar.
Há
relacionamentos que precisam ser tratados.
Há
feridas que precisam ser curadas.
Há
temperamentos que precisam ser submetidos ao Espírito Santo.
Há
hábitos que precisam ser colocados debaixo da autoridade de Cristo.
Não
espere o boi atacar alguém. Amarre-o antes.
Não
espere perder a família para controlar a ira.
Não
espere perder amizades para controlar a língua.
Não
espere destruir seu ministério para tratar seu caráter.
Não
espere ferir alguém para perceber que precisava de domínio próprio.
AMARRE
O SEU BOI SELVAGEM!
E
quando você não conseguir sozinho, lembre-se:
“Porque
Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa
vontade.” Fp.2.13
A
mensagem não é apenas: “Controle-se.” É: “Entregue o controle da sua vida ao
Espírito Santo.”
“Não
espere o seu boi ferir alguém para descobrir que ele precisava ser amarrado.
Aquilo que Deus já mostrou que precisa ser controlado, coloque hoje debaixo do
governo de Cristo.”
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