Introdução: A carta aos
Colossenses foi escrita pelo apóstolo Paulo durante sua prisão em Roma (Cl
4.3,18), por volta dos anos 60–62 d.C. A igreja de Colossos enfrentava falsos
ensinos que diminuíam a supremacia de Cristo, misturando filosofia humana,
legalismo judaico e misticismo (Cl 2.8-23).
Diante
desse cenário, Paulo apresenta uma das maiores declarações cristológicas da
Bíblia: Cristo é suficiente, supremo e Senhor de todas as coisas (Cl 1.15-20).
Nos
capítulos 1 e 2, Paulo mostra quem Cristo é.
Nos
capítulos 3 e 4, ele mostra como vive quem pertence a Cristo.
O
texto de Colossenses 3.15-24 revela que a verdadeira espiritualidade não é
demonstrada apenas no culto, mas na maneira como o cristão vive diariamente.
A
submissão a Cristo transforma: o coração, a família, o trabalho,
relacionamentos; e toda a vida.
"Se
Cristo é Senhor do céu, também deve ser Senhor da nossa casa."
Colossos
era uma pequena cidade da Frígia, na Ásia Menor (atual Turquia).
Era
uma cidade multicultural: gregos; romanos; judeus; povos orientais.
Cada
grupo possuía costumes religiosos diferentes.
A
sociedade era extremamente patriarcal.
A
família era organizada sob o chamado Pater Famílias, onde o pai exercia
autoridade sobre esposa, filhos e servos.
Os
servos (escravos) representavam quase um terço da população do Império Romano.
Embora Paulo não incentive uma revolução política, ele promove uma revolução
espiritual.
Ele
ensina que todos pertencem a Cristo.
Cristo
é Senhor tanto do senhor quanto do servo (Cl 3.11).
O
que significa submissão? O verbo grego Hypotássō significa:
colocar-se
voluntariamente sob uma autoridade.
Não
significa: inferioridade, opressão, escravidão.
Significa
reconhecer a autoridade estabelecida por Deus.
A
maior demonstração de submissão foi o próprio Jesus.
"Humilhou-se
a si mesmo..." (Fp 2.5-11)
I
— O CRISTÃO SUBMISSO É GOVERNADO PELA PAZ DE CRISTO
(Cl
3.15)
"E
a paz de Cristo seja o árbitro em vosso coração..."
A
palavra "árbitro" (grego Brabeuō) era usada para o juiz dos jogos
gregos.
O
árbitro decidia quem estava certo.
a)
Quem
deve decidir tudo é a paz produzida por Cristo Jo.14.27, Fp.4.6,7 Is.26.3
b) Vivemos numa
geração governada pela ansiedade. Cristãos tomam decisões: pela emoção, pela
pressão, e pelas redes sociais.
c)
Essa
paz é um vínculo de união Ef.4.3, um motivo de gratidão
d) A paz de Cristo
deve governar nossas decisões.
II
— O CRISTÃO SUBMISSO VIVE SATURADO PELA PALAVRA (Cl 3.16)
"Habite
ricamente em vós a Palavra de Cristo."
Habitar
significa: "fazer morada permanente." Não é visitar. É permanecer.
Na
cultura judaica os rabinos ensinavam constantemente as Escrituras dentro de
casa. O ensino era diário Dt.6.6-9
Paulo
transfere esse princípio para a igreja. Sl.119.11, Js.1.8 2Tm.3.16,17, Hb.4.12
Quem
não é cheio da Palavra será cheio da opinião do mundo.
III
— O CRISTÃO SUBMISSO GLORIFICA CRISTO EM TUDO
(Cl
3.17)
"Tudo
quanto fizerdes... fazei em nome do Senhor Jesus."
A
palavra "tudo" elimina qualquer divisão entre vida espiritual e vida
secular.
Para
Deus não existe:
· vida da igreja;
· vida
profissional;
· vida familiar. Tudo
pertence a Cristo. 1 Co.10.31, Rm. 14.8, Mt.5.16
Antes
de agir, pergunte:
Posso
fazer isso representando Jesus? Se não posso fazer em Seu nome... não devo
fazer.
IV
— O CRISTÃO SUBMISSO REFLETE CRISTO NA FAMÍLIA
(Cl
3.18-21)
Paulo
apresenta quatro grupos.
1.
Esposas
Submissão não é inferioridade.
É
cooperação dentro da ordem estabelecida por Deus. Ef.5.22-24 1 Pe.3.1-6
2.
Maridos O
marido não recebe ordem para dominar. Recebe ordem para amar. O padrão
do amor é Cristo. (Ef. 5.25)
O
amor elimina: violência, egoísmo, dureza.
3.
Filhos Obediência
agrada ao Senhor. Êx.20.12, Ef.6.1-3
4.
Pais A
autoridade não deve destruir os filhos. Disciplina sem amor produz
revolta.
Amor
sem disciplina produz rebeldia Pv. 22.6, Hb12.5-11
A
espiritualidade começa dentro de casa.
A
primeira igreja do cristão é sua família.
V
— O CRISTÃO SUBMISSO SERVE A CRISTO NO TRABALHO
(Cl
3.22-24)
No
contexto romano, muitos convertidos eram escravos.
Paulo
não justifica a escravidão.
Ele
mostra que mesmo em condições injustas é possível glorificar Cristo.
Observe
quatro princípios:
1.
Trabalhar com sinceridade não apenas quando alguém observa.
2.
Trabalhar com temor do Senhor
3.
Trabalhar de coração Excelência
é marca do discípulo.
4.
Trabalhar esperando a recompensa eterna Deus vê aquilo que ninguém vê. Ef.6.5-8,
Pv.22.29, Mt.25.21
O
cristão honra Cristo: na repartição pública; na empresa; no comércio; na
escola; em qualquer profissão.
Quem
trabalha apenas para homens vive frustrado.
Quem
trabalha para Cristo nunca perde sua recompensa.
Lições
do Texto
1.
Cristo é o centro da vida cristã Tudo começa e termina nEle. (Cl 1.18)
2.
A submissão nasce da regeneração não é imposição externa. É
transformação interior. Ez.36.26,27
3.
A Palavra produz santificação (Jo.17.17)
4.
O lar é o primeiro campo missionário A fé deve ser vista antes de ser ouvida.
5.
Todo trabalho pode ser um ato de adoração
Não
existe profissão secular para quem pertence a Cristo. Tudo pode glorificar a
Deus.
1.
Quem governa minhas decisões: minhas emoções ou a paz de Cristo?
2.
A Palavra de Deus habita em mim ou apenas me visita aos domingos?
3.
Minha família percebe que Cristo governa minha vida?
4.
Meu comportamento no trabalho revela que sirvo ao Senhor?
5.
Existe alguma área da minha vida que ainda resiste ao senhorio de Cristo?
Conclusão: Paulo ensina
que a submissão a Cristo não é um ato isolado, mas um estilo de vida. Ela se
manifesta na paz que governa o coração, na Palavra que habita ricamente, na
adoração que permeia todas as ações, nos relacionamentos familiares e na
dedicação ao trabalho. Em todas essas áreas, Cristo é reconhecido como Senhor.
A
maior expressão dessa submissão é encontrada no próprio Jesus, que
"humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de
cruz" (Fp.2.8). Se o Senhor se submeteu à vontade do Pai para nossa
redenção, seus discípulos são chamados a viver sob o seu senhorio com alegria e
fidelidade.
Assim,
a pergunta que encerra este estudo é: Cristo é apenas o Salvador da sua vida ou
também é o Senhor de todas as áreas dela? Somente quando Ele ocupa o centro do
coração, da família, do trabalho e das decisões, a vida cristã reflete o
propósito para o qual fomos chamados: glorificar a Deus em tudo (1 Co.10.31).