Introdução: O verdadeiro
obreiro não é aprovado apenas pelo que faz diante dos homens, mas
principalmente pela maneira como vive, ensina e se posiciona diante de Deus. O
objetivo é levar os obreiros a compreenderem que a aprovação ministerial
envolve caráter, fidelidade à Palavra e prudência no falar.
A
Segunda Epístola a Timóteo é tradicionalmente compreendida como uma das últimas
cartas de Paulo. O apóstolo escreve em um contexto de prisão, sofrimento e
expectativa de sua morte (2Tm 4.6-8).
Timóteo
estava servindo em um ambiente difícil, marcado por falsos ensinos, discussões
e desvios doutrinários. Alguns estavam prejudicando a fé dos crentes por meio
de ensinamentos errados (2Tm 2.16-18).
Por
isso, Paulo não orienta Timóteo simplesmente a trabalhar mais, mas a
apresentar-se a Deus aprovado. Uma expressão fundamental: “Procura
apresentar-te a Deus aprovado.”
A
palavra grega relacionada a “aprovado” é δόκιμος (dókimos), utilizada para
alguém que passou por um processo de teste e foi considerado genuíno.
A
ideia é semelhante à de um metal que era examinado para verificar sua
autenticidade.
O
obreiro aprovado é aquele que permanece fiel quando é provado.
1.
A PRIMEIRA MARCA: NÃO TEM DE QUE SE ENVERGONHAR (caráter)
“...como
obreiro que não tem de que se envergonhar...” — 2Tm 2.15
Paulo
começa falando de caráter antes de falar de capacidade.
Observe
a ordem:
1. Apresentar-se a
Deus;
2. Ser aprovado;
3. Não ter de que
se envergonhar;
4. Manejar bem a
Palavra.
O
ministério começa no altar do caráter, não no púlpito da habilidade.
1.1.
O obreiro trabalha primeiramente para Deus
a)
Paulo
não diz: “Apresenta-te aos homens aprovado.”
b) Ele diz: “Apresenta-te
a Deus aprovado.” Essa diferença é fundamental.
c)
O
obreiro pode impressionar pessoas e, ainda assim, estar reprovado diante de
Deus.
i.
Gálatas
1.10 “Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus?”
ii.
1
Tessalonicenses 2.4 “...não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova
os nossos corações.”
iii.
Colossenses
3.23 “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor...”
1.2
O obreiro aprovado possui um caráter que sustenta seu ministério
a)
Paulo
apresenta requisitos para aqueles que exercem liderança: 1 Tm.3.2, Tt.1.7
b) O grande
princípio pastoral: Dom pode abrir uma porta, mas caráter é o que sustenta o
obreiro dentro dela.
c)
Um
homem pode ter: eloquência; conhecimento; talento musical; capacidade
administrativa; experiência ministerial; mas, se não possui caráter, seu
ministério fica comprometido.
1.3
O obreiro não deve ter uma vida que traga vergonha ao evangelho
“Não
ter de que se envergonhar” envolve integridade moral e espiritual.
a)
O
obreiro precisa cuidar: Da vida espiritual 1Tm 4.16 “Tem cuidado de ti mesmo e
da doutrina...” Da vida familiar 1Tm 3.4-5
b) Do testemunho Mt
5.16
c)
Da
honestidade 2Co 8.21
d) Da pureza1Tm
5.22
e)
Da
humildade Fp 2.3-4
2.
SEGUNDA MARCA: MANEJA BEM A PALAVRA DA VERDADE (doutrina correta)
“...que
maneja bem a palavra da verdade.” — 2Tm 2.15
a)
A
expressão “maneja bem” traduz a ideia de cortar corretamente, conduzir de
maneira reta, lidar corretamente.
b) O obreiro
aprovado não manipula a Bíblia; ele se submete à Bíblia. Não devemos fazer a
Bíblia dizer aquilo que queremos. Devemos descobrir aquilo que Deus disse.
2.1
Manejar bem a palavra significa respeitar o contexto
a)
Um
dos grandes perigos no ministério é retirar um versículo de seu contexto.
b) Manejar bem a
Palavra é permitir que o texto fale aquilo que realmente significa.
2.2
O obreiro precisa ser um estudioso das escrituras
a)
Paulo
disse:1 Tm4.13 “Persiste em ler, exortar e ensinar...”
b) 2 Tm.3.16-17 “Toda
a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar...”
c)
O
obreiro não pode depender exclusivamente de: frases prontas, mensagens da
internet etc...
d) Esdras é um
excelente exemplo: Ed.7.10 Buscar → praticar → ensinar.
e)
Primeiro
a Palavra entra em nós; depois ela trabalha em nós; então ela pode ser ensinada
por nós.
2.3
O obreiro não pode ensinar o que não está disposto a viver
a)
Há
uma diferença entre: conhecer a Bíblia e ser transformado pela Bíblia.
b) Jesus condenou
aqueles que ensinavam, mas não praticavam. Mt.23.3 “...dizem e não fazem.”
c)
A
igreja pode até esquecer o sermão, mas dificilmente esquecerá o testemunho do
obreiro.
3 TERCEIRA
MARCA: EVITA FALATÓRIOS PROFANOS (língua disciplinada)
“Mas
evita os falatórios profanos...” — 2Tm 2.16
a)
Aqui
Paulo muda do estudo da Palavra para o controle da língua. O termo “falatórios”
aponta para conversas vazias, inúteis e sem proveito espiritual.
b) “Profanos” traz
a ideia daquilo que é comum, irreverente, contrário ao que é santo.
c)
Paulo
está ensinando que nem toda conversa merece a participação de um homem de Deus.
3.1
Nem tudo que pode ser dito deve ser dito
a)
Um
dos maiores desafios do obreiro é aprender a controlar a língua Tg.1.19 “Todo o
homem seja pronto para ouvir, tardio para falar...”
b) Pv.10.19 “Na
multidão de palavras não falta transgressão...”
c)
Efésios
4.29 “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para
promover a edificação...”
d) O obreiro
precisa saber: quando falar, o que falar, como falar, com quem falar, quando
permanecer em silêncio.
3.2
O perigo das conversas que parecem inofensivas
·
No
ambiente da igreja podem surgir: fofocas, murmurações, críticas destrutivas, especulações,
acusações sem provas, comentários sobre a liderança, exposição da vida de
irmãos, discussões inúteis, debates que produzem mais calor do que verdade.
·
Uma
conversa aparentemente pequena pode se espalhar e adoecer uma comunidade
inteira.
3.3
O obreiro precisa ser um agente de paz, não de confusão
a)
Jesus
disse: Mt.5.9 “Bem-aventurados os pacificadores...”
b) Rm14.19 “Sigamos,
pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os
outros.”
c)
Quando
alguém fala mal de outro irmão para mim, eu interrompo ou incentivo?
d) O obreiro
aprovado precisa saber dizer: “Irmão, essa conversa não vai produzir
edificação.”
3.4
o obreiro deve ser cuidadoso com o que ouve e com o que repassa
a)
Provérbios18.8
diz: “As palavras do maldizente são como deliciosos bocados...”
b) A fofoca possui
uma característica perigosa: é agradável para quem ouve, mas destrutiva para
quem é alvo.
c)
Por
isso, um obreiro precisa aprender a não transformar informação em combustível
para divisão.
d) Se eu não posso
falar algo na presença da pessoa envolvida, preciso pensar duas vezes antes de
falar na ausência dela.
Conclusão: Paulo está
dizendo a Timóteo: “Timóteo, você está trabalhando para Deus. Portanto,
preocupe-se em ser aprovado por Deus.”
O
verdadeiro obreiro não é medido apenas pelo número de mensagens que prega,
pelas funções que ocupa ou pelo reconhecimento que recebe.
Deus
olha para:
o caráter, a fidelidade à
Palav
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